Querido filho Tom,
Estou orgulhosa que você aprendeu a ter a figura do “melhor
amigo”.
Parcerias fazem a gente chegar mais longe na vida.
Sem amigos, filho, tudo fica mais sem graça desde a
brincadeira de dinossauros até o dia-a-dia estressante do trabalho.
Ok, alguém vai me dizer que pai e mãe também serão seus
amigos, mas não me iludo, filho, sei que é diferente hoje e vai ser diferente sempre.
Por mais que eu queira, não vai ser pra mim que você vai
ligar quando quiser contar que pegou aquela gata da escola. Nem seu pai será o
primeiro a saber da sua intenção de formar uma banda, um time de futebol ou o seu
próximo destino de viagem. (Talvez você conte pra ele da banda)
Nem agora, filho, aos 4 anos e meio, eu sou a primeira a
saber o que tanto você pediu para as fitinhas do senhor do Bonfim amarradas ao
seu punho. Seu amigo Chico soube primeiro do que eu que um dos seus pedidos é
virar Homem-Aranha quando você tiver 5, 6 ou 10 anos.
Ter amigo é bom, ter melhor amigo, melhor ainda.
É para o melhor amigo que a gente cochicha as primeiras
confidências.
Que a gente arma os primeiros planos.
Que a gente fala mal dos pais. Ôpa, eu estou na categoria de
pai e mãe agora. Será que você já anda falando mal de mim?
É ou será inevitável, né? Eu sei.
De um ser de dentro da minha barriga, você passou à algo
colado à minha pele quase 24 horas por dia, à uma pessoinha que agora se acha
independente e já quer dormir sozinho na casa dos primos e dos amigos.
“Mamãe, quero ir sem você e sem babá, tá?”
Tá, mas vou ficar por perto, filho.
Hoje e por mais alguns (muitos) anos.
“Quero fazer tudo igual a meu amigo” é um frase que com 4
anos o perigo é não querer comer legumes, mas com 14, o modelo do amigo pode
ser um pouco mais perigoso, dependendo do amigo, então, o que se há de fazer?
Olhar de perto.
Prestar atenção nas diferenças.
Ajudar você a construir suas próprias conclusões ou, pelo
menos, ficar do seu lado no momento de um ou outra decepção.
Por enquanto, filho, você imita as frases dos DVDs que
assiste.
E como você mesmo diz “Vida longa ao meu amigo!”.
Um beijo, Mamãe.
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