Querido
filho Tom,
Quando
essa revista estiver nas bancas, sua irmãzinha Estela completará 1 mês.
Um
grande feito para ela e uma mudança ainda maior na
sua vida, né, filho?
Estela
chegou no dia 8 de outubro e já foi fazendo você dividir o quarto, o armário, a
babá, a vovó, a mamãe e o papai.
Sem
nem te conhecer direito, ela chegou pedindo silêncio aos seus dinossauros.
Você
ficou genuinamente feliz, eu sei, mas também teve febre, dor de ouvido, dor de
garganta e quase quebrou o nariz.
Os
amigos, pais há mais tempo de 2 ou mais filhos, dizem categóricos “é ciúmes”.
Claro
que há a flecha preta do ciúme, como diria Caetano, mas eu acredito que há mais
dúvida e incerteza aí do que realmente ciúmes…
Você
ainda não sabe como é legal ter uma irmã.
Estela
vai ser a princesa das suas histórias, vai imitar suas brincadeiras, te
defender, ser a sua cúmplice, sua fiel escudeira.
Vai
seguir seus passos mesmo antes de começar a andar.
Vai
te olhar com olhos apaixonados e admirados de quem tem o garoto mais bacana da
rua como irmão mais velho.
E
você vai ensinar para ela a diferença entre Brachiossauro e Mamechissauro, vai
cantar para ela “Hey Jude”, vai ter eternamente ajuda para construir tesouros,
robôs e castelos de sucata, vai contar os segredos que só você sabe sobre como
convencer mamãe e papai a fazerem exatamente o que vocês querem.
Ter
um irmão, filho, é dividir um futuro.
Vocês
vão brigar, claro, (seu tio Marcelo que o diga) mas espero que vocês, além de
irmãos, sejam amigos, realmente amigos, mas isso, mamãe e papai só podem
esperar e torcer para que aconteça, porque amizade não é algo definido pelo
sobrenome.
Estela
hoje chora, mama e dorme. Mas a mamãe não vê a hora de vê-la passeando com você
de um lado para outro na carona de um cavalo-marinho ou um foguete rápido e
brilhante.
Até
lá, filho, pode ter certeza de que pelo menos uma coisa você não vai precisar
dividir de jeito nenhum: esse espaço aqui é só seu e ponto final.
Um
beijo,
Mamãe.
Nenhum comentário:
Postar um comentário