segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cartas ao Tom - janeiro 2011


Querido filho Tom,


Como é mesmo que faz para esse gato falar?
Onde aperta para dar o leitinho?
Você sabe mais sobre esses jogos do I-Pad do que eu, Tom.
Aliás, é impressionante a sua facilidade para lidar com essa nova tecnologia.
Você fica entretido por minutos e minutos sem intervalos.
(As mesas do lado nos restaurantes agradecem)
Corujices à parte, vai ser interessante notar como a sua geração vai evoluir.
Vocês serão adolescentes mais espertos, muito mais conectados, literalmente mais antenados com o que acontece no mundo.
Ou tudo isso vai ajudar vocês a serem menos egocentrados.
Ou vai acontecer o contrário: a sensação de serem o centro do mundo será exacerbada com o poder de postar algo e receber comentários e aprovações em esfera mundial.
Por mais que eu me esforce e gaste horas da minha terapia falando de você e não de mim não há muito o que eu possa fazer resguardar você desse novo mundo.
Tá tudo aí.
Tudo parece touchscreen.
Mas lembre, filho, nem tudo o que a gente toca vira ouro.
Midas também erra.
Aprender a lidar com as frustações é importante.
Saber perder no futebol, ouvir que a escultura de massinha não está tão bonita dessa vez, receber uma nota baixa de vez em quando é doloroso para o adulto que assume esse papel mas é fundamental para você.
É difícil perceber qual a hora certa em que o apoio é importante para formar o sentimento de segurança na personalidade de uma criança ou a reprovação é importante para formar a couraça que nos protege das frustações.
Seria tão mais fácil nascer com os espinhos dos estegossauros nas costas, não?
Ou ter 3 chifres na cabeça, como os Tricerátopes, que se sentem corajosos para enfrentar até mesmo o perigoso T-Rex.
Mas você não nasceu dinossauro, nem jacaré, nem cavaleiro medieval…
Então, vamos à construção dessa couraça, filho.
Eu te ajudarei no que for preciso.
Amanhã, ok?
Hoje mamãe tem que dizer que o seu desenho está lindo!


Um beijo, Andrea.

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