Querido filho Tom,
É no filho dos outros que eu percebo como você está grande.
As aulas começaram e, com elas, o recreio constante dos
meninos da escola que te acompanham desde que ainda faltavam 22 dias para você
completar 2 anos.
Estão todos mais altos, fisicamente mais confiantes,
falantes.
E, como se eles fossem um espelho seu, filho, eu te enxergo
mais independente. E tenho orgulho disso.
As despedidas dolorosas acabaram.
A chupeta, de um ou de outro, há tempos, foi esquecida.
Você não chora mais dizendo que prefere ficar em casa.
E os primeiros pedidos para dormir sozinho na casa do amigo
começam a aparecer.
E agora? Será que eu vou piscar os olhos e terei um
adolescente colecionando espinhas na minha frente?
Será que o receio de você ir sozinho na piscina não pode
demorar um pouco mais para se transformar no receio de você sair sozinho e
ponto?
Uma volta às aulas com data próxima à do aniversário da mãe
é complicado.
O sentimento que o tempo está passando aumenta.
Você já me corrige quando leio algum páragrafo errado dos
seus livros preferidos na hora de dormir.
Já não tem mais medo do livro do tubarão que come o pirata.
E já me faz perguntas que nascem sem respostas como aquele
dia em que você me acordou com ar de preocupado e disse: “mamãe, todo mundo que
morre, antes de morrer fala - adeus, mundo cruel?-”
Os assuntos vão ficar mais cabeludos daqui para frente.
E eu, que sempre fui a boa aluna da classe, me sinto
atrasada na matéria e preciso estudar um pouco mais senão chegam os exames e me
sentirei despreparada, filho.
Ou será que existe alguma maneira de ter sempre um manual
embaixo do braço para tirar aquelas dúvidas de última hora que aparecem?
Ok, agora deixa eu entrar na internet e encomendar a fantasia
de Homem Aranha ou de Pirata para o carnaval enquanto eu ainda posso fazer
isso.
Um beijo, Mamãe.
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