Querido filho Tom,
Você vai ganhar uma irmãzinha.
Depois de quase 5 anos reinando sozinho você me pergunta, num
misto de felicidade e dúvida: “o meu quarto não vai virar rosa e eu não vou ter
que brincar de princesa, né, mamãe?”
Não, fica tranquilo, respondo.
Mas será que eu estou tranquila?
Será que estou sendo egoísta em me preocupar como é que eu
vou reagir à esta mudança na dinâmica da casa?
A culpa será menor porque pelo menos um sempre terá o outro
para brincar ou maior porque agora serão dois sem minha presença 100% do tempo?
Assim como os 9 meses de gravidez, terei que esperar pra
ver.
Por enquanto, estamos todos curtindo a novidade: eu, você e
o papai.
Você gosta de dar beijinhos na barriga, de ver que algumas
roupas que eram suas serão da sua irmã agora, gosta de ver as fotos de quando
eu estava grávida de você.
Até o momento não percebi nenhuma regressão.
E depois?
Já ouvi mil conselhos de como devo proceder com a chegada de
um bebê na casa, mas a verdade é que uma história nunca é igual a outra, não é
mesmo?
Instintivamente acho que as grandes mudanças (nova cama,
novo lugar no armário para as roupas, etc) precisam ser feitas antes da sua
irmã chegar para que você tenha o seu período de adaptação com calma, sem
pressa.
Você está cada dia mais independente, mais carismático, mais
cheio de amigos e de novos interesses.
Sua cabecinha de 4 anos e 10 meses parece mais lúcida do que
a de muito adulto por aí.
Na tentativa de incluir você nos preparativos, eu e seu pai
mostramos as fotos do último ultrassom. Com a sua sinceridade típica de criança
sem freios sociais você me respondeu que ela parecia muito pequena e estranha.
Dias depois, na hora do boa noite, você disse que me amava e
que já amava a sua irmã. Ao que eu respondi que ela também já gostava de você.
Que ingênua que eu fui.
Na lata, você falou: “Como, mamãe? Ela nem me conhece?”
“Você também não conhece ela, filho!”
“Conheço sim, mamãe, já vi a foto!”
Quem pode disfarçar a verdade diante de tamanha compreensão
do mundo?
Esse é o meu melhor conselho até agora.
Falar a verdade, de um jeito lúdico, sempre que der, porém,
sempre a verdade.
É, querido, você vai ter uma irmãzinha.
E ela vai nascer da minha barriga, do mesmo jeitinho que
você nasceu.
Cegonhas só trazem bebês cegonha, bebês gente nascem da
barriga de gente mesmo.
Vamos esperar pra ver.
Um beijo, Mamãe.
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