segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cartas ao Tom - fevereiro 2011


Querido filho Tom,


Borboleta, não. A mamãe vai fazer uma máscara de leão para você.
Eu sei que é um preconceito da minha parte.
A palavra é bem significativa, aliás. É um pré-conceito mesmo.
Sei que você tem só 4 anos e o desejo de se fantasiar de borboleta não vem com nenhuma carga emocional.
Mas, fazer o quê?
Desde bebê tento não repetir o clichê do quarto azul para meninos (seu quarto é colorido).
Vestir roupas azuis o tempo todo (sua cor preferida é amarelo).
Quero deixar você à vontade para fazer suas escolhas sem ficar exposto todo o tempo à estereótipos.
Mas daí a eu me sentir confortável se você for fantasiado de borboleta na festa da escola já é um pouco demais.
É exigir muita modernidade da minha parte.
Dar repertório para uma criança é uma tarefa muito difícil.
Não há como ser imparcial 100% das vezes.
As opiniões são tendenciosas, de um jeito ou de outro.
E o exemplo em casa acaba sendo, sempre, a maior verdade de todas.
E, sem que eu tenha me dado conta, eu olho para você e me vejo nas suas atitudes.
Você gosta de flores, orquídeas, sabe nomear gérberas e lírios tanto quanto conhece o Velociraptor e o Tiranossauro Rex.
Qualquer semelhança comigo é mera coincidência? Não, não é.
Do seu pai, aprendeu o gosto pela música, escolhe as faixas, cantarola, acompanha, como pode, com a sua gaita.
Conhece Beatles, Rolling Stone, Kiss e, felizmente, não faz a menor idéia de quem é o Tchutchucão.
Vejo alguns colegas da sua idade que gostam de brincar de luta.
Você prefere que os bichos, na sua brincadeira, sejam amigos.
Até tentamos mudar um pouco isso, compramos uma espada, e você até me pediu um Homem Aranha de presente mas “sem inimigo, mamãe, por favor”.
Cada criança tem um modelo em casa, na escola, no clube, na academia e é bom que seja assim.
Assim criamos meninos diferentes com personalidades diferentes.
E, no fundo, filho, o que todo pai e toda mãe quer é que vocês sejam felizes. Responsáveis por suas próprias escolhas.
Ok, quando você crescer, tá?
Porque hoje, com 4 anos, eu ainda te ajudo, (“influencio mesmo”) nas suas decisões.
E olhe que legal essa máscara de leão, filho.

Um beijo, Mamãe.

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