segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cartas ao Tom - outubro 2011



Querido filho Tom,


Muitas vezes me pego refletindo sobre as divagações que você faz no alto dos seus 5 anos:
“Mamãe por que o tio Marcelo e a tia Mariana não se casam e têm um filho se eles já se encontraram e já se apaixonaram?”
Colocado dessa forma parece tão simples a decisão de casar e ter um filho. Por outro lado, você está certo, Tom, por que não haveria de ser simples quando o mais difícil já aconteceu que é existir o encontro por amor?
“Mamãe, a Nina e a Lalá querem casar comigo, aí, eu fiz uni-duni-tê, ganhou a Nina.”
Nós adultos é que complicamos tudo, ok, essa afirmação também parece simplista e certamente não estaria certa sob a ótica de uma criança.
O fato é que vocês, crianças, têm muito a nos ensinar com o jeito de avaliar os problemas. Quando um adulto analisa um fato o que avaliamos é mais do que o fato em si. Levamos em consideração o que as pessoas à nossa volta achariam sobre o fato, se estamos cumprindo regras pré-estabelecidas ou desafiando-as, enfim, nosso julgamento nunca é isento de fatores externos ao que a gente realmente sente.
Vocês, crianças, são mais honestas, mais diretas-ao-ponto. Vocês dizem na cara do amigo se gostam deles ou não. Se acham que eles são ruins no futebol ou não, se eles podem ir brincar em casa ou não. Assim, na lata.
Isso também pode machucar o amigo. E você, por mais que ainda não saiba nomear o que sente, já fica magoado quando vê que, sem querer, entristeceu alguém.
Isso é crescer, filho, e eu não me iludo, você está crescendo rápido.
Hoje você me diz “adolescente não é adulto, mamãe, adolescente é só uma criança grande.”
Que assim seja, filho.
Que você conserve essa sua pureza de raciocínio, sua curiosidade e entusiasmo de criança, mesmo quando um dia você gritar “mamãe” com a voz mais grossa e pelos no peito.

Um beijo,
Mamãe.

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