Querido filho Tom,
Muitas vezes me pego refletindo
sobre as divagações que você faz no alto dos seus 5 anos:
“Mamãe por que o tio Marcelo e a
tia Mariana não se casam e têm um filho se eles já se encontraram e já se
apaixonaram?”
Colocado dessa forma parece tão
simples a decisão de casar e ter um filho. Por outro lado, você está certo,
Tom, por que não haveria de ser simples quando o mais difícil já aconteceu que
é existir o encontro por amor?
“Mamãe, a Nina e a Lalá querem
casar comigo, aí, eu fiz uni-duni-tê, ganhou a Nina.”
Nós adultos é que complicamos tudo,
ok, essa afirmação também parece simplista e certamente não estaria certa sob a
ótica de uma criança.
O fato é que vocês, crianças, têm
muito a nos ensinar com o jeito de avaliar os problemas. Quando um adulto analisa
um fato o que avaliamos é mais do que o fato em si. Levamos em consideração o
que as pessoas à nossa volta achariam sobre o fato, se estamos cumprindo regras
pré-estabelecidas ou desafiando-as, enfim, nosso julgamento nunca é isento de
fatores externos ao que a gente realmente sente.
Vocês, crianças, são mais honestas,
mais diretas-ao-ponto. Vocês dizem na cara do amigo se gostam deles ou não. Se
acham que eles são ruins no futebol ou não, se eles podem ir brincar em casa ou
não. Assim, na lata.
Isso também pode machucar o amigo.
E você, por mais que ainda não saiba nomear o que sente, já fica magoado quando
vê que, sem querer, entristeceu alguém.
Isso é crescer, filho, e eu não me
iludo, você está crescendo rápido.
Hoje você me diz “adolescente não
é adulto, mamãe, adolescente é só uma criança grande.”
Que assim seja, filho.
Que você conserve essa sua pureza
de raciocínio, sua curiosidade e entusiasmo de criança, mesmo quando um dia
você gritar “mamãe” com a voz mais grossa e pelos no peito.
Um beijo,
Mamãe.
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