segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cartas ao Tom - maio 2011



Querido filho Tom,


Um dos seus amigos da escola vai morar fora e você vai ter que aprender a dizer adeus. Tá certo que um dia, quem sabe, a gente pode ir visitá-lo, mas não vai ser como ir em Alphaville e voltar, filho.
Despedidas fazem parte da nossa vida.
Você, desde pequeno, aprendeu a se despedir da mamãe e do papai que saem para trabalhar e sempre voltam.
Aprendeu a se despedir para ficar algumas horas sozinho na escola seguro de que, depois da aula, a gente irá te buscar.
Um dia você se despediu do berço, da chupeta, da mamadeira. Felizmente sem dramas. Ufa.
Mas se despedir do amigo é difícil nessa idade, né?
A noção do tempo para você ainda é exageradamente mais longa ou mais curta do que o tempo real.
O que fazer então?
Eu e outras mães dos seus colegas conversamos sobre isso.
Preparar uma quarentena, como se faz em algumas religiões, pareceu o mais adequado.
Assim, vocês, meninos grandes de 4 anos, poderiam se preparar para o tão esperado tchau.
Estou completamente de acordo, filho.
O melhor a fazer (em todas as despedidas, na minha opinião) é dizer a verdade.
Do mesmo jeito que mamãe nunca saiu de casa escondido para ir trabalhar, mamãe tem que te dizer que: sim, seu amigo vai morar em outro país, ele não irá mais à mesma escola que você todos os dias, e você não vai mais poder ir de vez em quando na casa dele.
Claro que você pode ficar triste, e pode fazer um desenho e uma colagem pra ele.
Ele vai gostar, vai se sentir querido.
E quando você quiser, filho, mamãe escreve uma carta (tá, um email) para ele, basta me dizer o que devo escrever.
Mas olha lá aquela palavrinha de novo: sem dramas, filho.
As distâncias , hoje em dia, estão como a noção do tempo para você: às vezes exageradamente mais curtas do que imaginamos.

E, como na vida, para cada desencontro, a gente também pode ter um encontro, neste fim de semana você conheceu uma menina que pode vir a ser um grande nova amiga.
E ela tem 10 anos!
Você precisava ver os seus olhinhos brilhando para me contar a idade dela.
Engraçada, boa de bola, boa no surf, ela deixou você boquiaberto.
Era tanta felicidade que você nem lembrava de procurar o carrinho de picolé, seu programa de praia favorito.
Eu comentei que tinha gostado dela e você me disse que ela é legal mas que não queria namorar com ela.
Engoli seco, claro, quem estava falando em namorar?
Bom, filho, acho que isso já é assunto para mais uma longa carta.
Tchau, querido.

Um beijo, Mamãe.

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