Querido filho Tom,
Quem tem medo do lobo mau?
Você tem, filho, eu sei.
E quer saber a verdade? Eu também tenho.
Tenho medo de pessoas que podem ser mais malvadas do que
certos lobos, tenho medo do trânsito, de perder você numa estação de metrô
lotada, de não comer, de comer demais, de não ter por perto as pessoas que eu
amo, de não olhar para os lados antes de atravessar, de não conversar na mesa.
Este, por sinal, é um dos maiores medos da mamãe: não te
encontrar nas refeições para conversar.
Não vou ficar aqui falando o óbvio: ter pouco tempo para os filhos é, hoje em
dia, o grande bicho-papão da vida moderna.
E cada família encontra a sua própria maneira de resolver
isso.
Na nossa casa tentamos sempre conciliar o inconciliável:
você, minha vida, meu trabalho, o papai, fazer ginástica, supermercado, unha,
depilação, ufa.
Mas aí chegam as férias e oba!
Pela primeira vez trouxemos você numa viagem internacional
com a gente.
E NY para crianças é o máximo.
Você viu os dinossauros no Museu de História Natural, as
múmias no Metropolitan, a bailarina de Degas que você já tinha visto nos
livros.
Viu os pinguins de Madagascar no Zoo do Central Park,
aguentou ficar acordado durante todo o espetáculo do Rei Leão e aprendeu a
fazer esculturas no Children Museum of the Arts.
E depois de uma semana intensa (que coincidiu com a maratona
de NY, não, não é um trocadilho) você esqueceu do Lobo Mau.
Você parou de acordar no meio da noite e nem fala mais dele.
Porque, na verdade, filho, o Lobo Mau sempre vai existir.
E serão vários lobos daqui até a sua vida adulta.
Mas, no momento, o grande Lobo Mau que te assustava toda a
noite era ficar menos tempo com a gente do que você gostaria.
E isso a gente resolveu nessa viagem sem nenhum pó de
pirlimpimpim.
E que a gente viva feliz para sempre.
Um beijo, Mamãe.
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