Querido filho Tom,
Quantos livros você quer ler hoje de noite?
A pergunta é sempre sucedida de uma negociação: “7! Não,
filho, 7 é muito! Amanhã você tem escola… Tá, mamãe, então 4…”
Fico feliz que você goste tanto de livros, filho. Desde
bebê. Antes, os livros que habitavam o baldinho azul no pé da sua cama eram
quase mini-binquedos, na verdade. Tinham texturas, abriam várias vezes,
encaixavam partes, faziam barulhos. Eram livros que aguçavam o tato e a
audição.
E ajudavam você a desenvolver um vocabulário maior do que
baba, bola, aba.
Agora são outros os sentidos que os seus livros aguçam: a
curiosidade, a imaginação.
Os dois livros do momento são livros de um amigo, o Lolo:
“Super Empty” (a história de um super herói bem diferente) e Quem Soltou o Pum?
(não, não é o que você está pensando, Pum é um cachorrinho chamado Pum, hahaha)
Voltando ao assunto… todo dia você pede para ler os mesmos
livros, filho.
E dá risada exatamente nas mesmas partes.
E pede para que eu repita a mesma entonação na hora da leitura.
E ri mais ainda.
Acho que a repetição, aos 5 anos, é o que ajuda você na
compreensão da história. Porque, embora você conheça todos os trechos a ponto
de me corrigir se leio algo errado, você sempre tem uma pergunta diferente à
respeito do livro (ou algo que o livro tenha te lembrado) que você nunca tinha
feito antes.
E muitas vezes, te pego repetindo, frases inteiras dos
livros que a gente lê quando você brinca de faz de conta com seus bonecos.
Sua vontade de ler sozinho, com seus próprios olhos, também
está aumentando.
Você já conhece as letras.
E outro dia você contou para o seu pai que o ponto de
exclamação numa frase indicava que alguém estava falando aquela frase gritando.
Menino Maluquinho e Marcelo, Martelo, Marmelo também tiveram
seus dias de glória aqui em casa.
E, eu, desde que você nasceu, digo que vou escrever a
história de um menininho chamado Tom que usou órtese para consertar o pezinho
quando nasceu e por isso virou um grande herói do skate e do snowboard.
5 anos já se passaram e até hoje ainda não escrevi.
Mas, pensando bem, essas cartas são uma maneira de escrever
essa história, filho, só que em doses pequenas, em parcelas iguais, todo mês,
do jeito que você gosta.
Um beijo,
Mamãe.
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