segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Cartas ao Tom - setembro 2011

Querido filho Tom,

Não dá para te pedir calma quando você deseja muito que a sua irmã Estela nasça logo. 
Não dá para te pedir calma quando é o dia seguinte da sua festa de aniversário de 5 anos e você não entende bem o que significa ter que esperar um ano inteiro para ser seu aniversário de novo. 
Não dá para te pedir calma quando o sorvete está derretendo, sujando toda a sua roupa, mas sua boca ainda não é suficientemente grande para dar conta.
Não dá para te pedir calma quando o amigo entende que o seu abraço mais parece um apertão no pescoço, “mas era um abraço, mamãe”.
Quando a saudade da vovó não se consola pelo skype. Quando seu dinossauro preferido quebra a perna e não dá para colar.
Calma e paciência são palavrinhas amigas de adultos.
Sua existência de 5 anos, filho, não teve nada a ver com calma até agora. Tudo é novidade, tudo é intenso e é bom que seja assim.
A vida acontece tão rápido. Conserve seus olhinhos bem vivos e abertos. Cultive essa sua curiosidade, seus muitos por quês. Não amadureça isso.
Picasso disse que levou a vida inteira para pintar como uma criança. Acredito. Alguns insights só as crianças têm, pequenas sabedorias de vida.
Levamos você para o Rio de Janeiro e você disse que, em vez do Anjinho da Guarda, que você nunca viu, você agora ia rezar para o Cristo Redentor, que está ali, pertinho, na montanha.
Corram, adultos, não tenham calma. Sejam mais crianças.
Agora, Tom, fica aqui comigo, me dá mais um abraço, com calma, filho.

Um beijo, mamãe.

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